Quando fui fazer o penúltimo ultrassom da Laura, com 34 semanas e
4 dias, o ultrassonografista me disse o seguinte: "olha, está tudo bem,
mas seu líquido está no limite inferior... Verifique com seu médico o que está
acontecendo, pois é necessário observar mais de perto para o bebê não ficar com
pouco líquido amniótico e sofrer."
Meu coração quase parou né? A palavra "bebê" e
"sofrer" na mesma frase é inaceitável pro coração de qualquer mãe.
Como já fazia algum tempo que eu não me sentia bem, saí de la e fui
direto ao hospital para ver se não estava perdendo líquido...
(O líquido aminótico é medido por um índice chamado ILA, e a
normalidade está entre 80 e 180 – ou 8 e 18. Quando ele é medido e avaliado em
8 ou inferior temos um quadro de Oligoidrâmnio; e quando é 18 ou superior é
Polidrâmnio. O líquido amniótico preenche a bolsa em que o bebê está, e é o responsável por proteger o bebe, por permitir o desenvolvimento do sistema
respiratório já que o bebê inspira e expira esse líquido, é responsável por permitir que o bebê se movimente e assim, desenvolva seus ossos e musculaturas,
etc).
Eu estava sempre cansada, com falta de ar, sentia meu coração
acelerado e pulsando na garganta, não aguentava nem lavar louça sem o coração
disparar.
As pernas vermelhas e inchadas.
Chegando no hospital, expliquei o que sentia e o que o
ultrassonografista havia me dito... Toque, exame de sangue, exame de urina,
cardiotoco... Vamos internar! Oi?
Como assim?
Grávida
aos 22 anos, altura e peso ok, sem antecedentes e histórico familiar: eis que
um belo dia me deparo com a pressão 14/10 (mas esse era um dos melhores dias,
já que virava e mexia a danada subia até 16/10, 16/11...)
Foi um susto daqueles, que me rendeu a 4 dias internada com 35
semanas de gestação.
A principio a médica me disse que como teria que entrar com
medicação para controlar a pressão era importante saber como meu corpo reagiria
a um medicamento que nunca tomei antes, mas só depois fui perceber que estavam
querendo fazer uma cesária em breve – o exame de cardiotoco deu que o coração
da Laura estava bem fraquinho, e internaram a gente pra tentar ganhar mais
alguns dias monitorando de perto. Pra nossa sorte, descobriram que o aparelho
estava com defeito, e com ela estava tudo bem.
Já eu... Custou pra pressão baixar. Começaram a me dar a
medicação, e junto com um sono incontrolável, a pressão continuava alta.
Só depois de uns dois dias os remédios começaram a fazer efeito...
Tive alta e fui encaminhada para a gestação de alto risco, onde o
acompanhamento já seria semanal.
O líquido estava reduzido como consequência à pressão alta – mas como
não estava tão baixo assim, não seria necessário interromper a gravidez.
Desconfie que seu líquido está baixo caso:
1- Consiga apalpar facilmente o bebê fora da barriga.
2- Sinta que o bebê está mexendo pouco.
3- Quando o bebê estiver menor que o indicado pela idade
gestacional.
4- Estiver perdendo líquido (neste caso, voa pro hospital, kkk)
A importância do pré-natal está justamente aí: não se pode bobear,
pois a mulher grávida e um grandessíssimo ponto de interrogação. Ainda
internada, vi o médico responsável explicar para os estagiários que o meu caso
era um dos que se trata o PACIENTE em si, pois meus exames laboratoriais não
tinham absolutamente nada de errado, e eu continuava com mal estar. Segundo o
médico, ele não trata “papel”. Então, apesar de importantes, as vezes os exames
podem não chegar a um diagnostico exato.
Eu tive uma gravidez maravilhosa, não vomitei uma vez sequer, não
senti nada de anormal, e logo no finalzinho... Pressão alta... Pouco líquido...
Tanto a pressão alta, quanto os casos de Oligodramnio e
Polidramnio podem ser severos o suficiente para interromper a gestação, (uma
pressão alta pode levar a mãe a ter quadros de convulsões, colocando em risco a
vida da mãe e do bebê).
Nunca deixe de visitar ao médico todo mês, e prefira pecar pelo
excesso do que pela falta de cuidado.
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