sexta-feira, 20 de março de 2015

Relato de parto - cesária (O nascimento da Laurinha)

Olá pessoal!
Hoje venho contar pra vocês um pouco sobre como foi o nascimento da Laura.

Eu estava de 34 semanas quando comecei a apresentar problemas com a pressão; fui diagnosticada com DHEG (doença hipertensiva exclusiva da gestação – no meu caso, pressão alta), comecei a tomar remédio para controlar a pressão arterial e ficou tudo “mais ou menos” sobre controle (fiz um post sobre isso AQUI).

Com quase 37 semanas, numa quinta feira, fui visitar minha avó em Ourinhos com o intuito de levar meus últimos exames para meu primo, obstetra (que também estava presente no parto da minha mãe - o meu, no caso), dar uma olhada. Ver se ainda era seguro pra continuar a gestação mesmo com o líquido amniótico reduzido e coisa e tal.
Como estava tudo bem, poderíamos esperar mais uma semana. Ela nasceria na quinta feira, dia 11... Mas até chegarmos a essa conclusão, já era sexta a tarde e decidi que passaríamos o final de semana lá – eu tenho um negocio muito forte com intuição, e tinha certeza que voltaria pra Marilia com ela nos braços.

Na sexta feira eu tinha algumas contrações sem dor, sentia a barriga endurecer todinha, e relaxar depois de um tempo – senti isso durante o 8 mês todinho, mas naquele final de semana tava ficando mais frequente.
Fui obrigada a escutar de uma enfermeira que aquilo que eu estava sentindo era “dor de encaixamento”, sendo que, primeiro: não era dor coisíssima nenhuma; segundo: era contração sim! (Porque ninguém leva mãe de primeira viagem a serio?).

E assim foi, sexta... Sábado... No domingo a tarde as contrações pegaram ritmo. De 4 em 4 minutos, sem dor, e a Laura nada de mexer... Fomos no pronto socorro ver como estava a situação – o médico plantonista fez pouco caso, escutou o coração por 15 segundos e me mandou embora. Cheguei em casa indignada. Mas tudo bem, estava nas mãos de Deus.
Conclusão da historia: lá pelas 21 horas eu senti a primeira pontada de dor.
Eu não sabia o que era aquilo, se era dor de barriga ou oquê. Eu estava falando com uma amiga no Whats Up que é estudante de medicina (Alô Amandinha!), e ela já me deixou ligeira.
Lá estava eu, feliz da vida, entrando em trabalho de parto.
Primeira contração: hmm, é só isso?
78326170923918 contração: AI MEU DEEEEEUS DO CÉU, SOCORRO!!!
A ideia inicial era aguentar firme o máximo que desse em casa, pra só depois ir pro hospital.
Depois de sei lá, umas duas horas, fomos ver como estava a pressão: 18/11, dei um beijo na minha vó, disse que a Laura estava nascendo  e saímos correndo pro hospital – lá se foram as minhas esperanças de ficar aguardando em casa por um parto normal. Eu nunca tinha visto minha pressão tão alta assim.
No meio do caminho eu só sabia falar: “Amor do céu, anda rápido pelo amor de Deus, mas vai devagar!” hahahahaha Mamães sofrem, gente! E papais também, kkkkkk.

Quase infartei as enfermeiras quando cheguei lá com a pressão daquele jeito.
ADVINHA QUAL ERA O MÉDICO QUE ESTAVA LÁ? O PRÓPRIO. Consegui me resumir em apenas algumas palavras: “É doutor, parece que agora vai né?”. Ele fez o toque e eu estava com 3 dedos de dilatação. Acho que de pirraça ele me deixou ali mais umas 2 horas, tendo contrações pra ver se dilatava mais, e nada aconteceu. Eu já estava a 4 horas em trabalho de parto e com a pressão altíssima. Fomos pra cesária.

Nessa hora me separaram do Namorido, que estava ali comigo, bravamente, sendo xingado e amassado.

Entrei na sala de cirurgia e “tremia mais que vara verde” como diria a minha mãe. Lembro do ar condicionado estar me congelando enquanto via o pessoal arrumando as coisas.
Então chegou o anestesista, ele pediu que eu sentasse para aplicar a Raqui.
Ele me disse: “a hora que você sentir as pernas pesadas, você me avisa”. E então passaram uns 5 minutos, e nada da perna pesar. Ele pediu para eu erguer as pernas e eu ergui. Ou seja, a anestesia não tinha pego. Então ele aplicou uma segunda anestesia... E aí sim funcionou. Em menos de dois minutos eu não conseguia erguer nada, me sentia um saco de batatas. As anestesias não doeram nada – o problema mesmo foi que eu tremia muito, de nervoso, de frio...
Foi aí que o Gabriel entrou. Pronto. Poderia começar... E começaram.
GENTE, QUE COISA MAIS HORROROSA, eu não senti cortar nem nada, mas quando ele começou a “fuçar” dentro de mim, eu sentia ele remexendo as coisas, foi uma sensação que embora não “dolorosa”, horrível.
Foi muito rápido, logo eu ouvi o chorinho. O médico me mostrou ela rapidinho pra dar um beijo e levaram ela pra avaliar, pesar, etc, e o Gabriel foi atrás – de 37 semanas, 3.350kg, 48 cm, apgar 8 e 9, as 2:15 da manhã, do dia 8 de Dezembro de 2014, na madrugada de domingo pra segunda feira – FUGINDO DE TUDO QUE TÍNHAMOS PLANEJADO. Graças a Deus, pois hoje tenho certeza que ela nasceu no tempo DELA.

Logo depois que levaram ela senti que minha garganta tava fechando, e uma sensação bem esquisita no olho... São reações normais decorrentes da anestesia, mas fiquei bem assustada, mal dava pra respirar...
Trouxeram ela denovo, mas eu não consegui ver direito – a pediatra deixou numa altura ruim pra eu ver, foi rapidinho e já levaram pro berçário, e o Gabriel foi atras denovo. Enquanto isso o obstetra tava “fechando tudo”... Quando ele terminou, fui para a recuperação (isso devia ser umas 2:35 no máximo, foi MUITO rápido).

Na recuperação o tempo não passava. A enfermeira disse: “descanse”, e mesmo com duas Raqui na lomba (literalmente, kkkkkk) eu não conseguia desligar. Sem brincadeira, eu olhava para o relógio de 5 em 5 minutos. Assim fiquei por três horas. Sozinha, sem lembrar do rostinho, desesperada, e quem disse que a enfermeira falar: “está tudo bem com ela, descanse” me tranquilizava? Eu queria VER, pegar, cheirar. Eu tinha esperado muito tempo por aquele momento.
E quando consegui erguer meu quadril pra passar sozinha de uma maca para outra me levaram para o quarto.
(Eu tentava mexer o tempo todo, pra ver “se já dava”. Era engraçado, porque eu mandava a informação pra perna mexer, e ela não mexia... Mas quando eu olhava, ela tava se mexendo toda desgovernada... hahahaha é bizarro! Lembro que uma perna voltou mais rápido que a outra.)

Enquanto empurravam a maca da recuperação para o quarto, meu coração estava disparado. Aquele seria nosso segundo encontro, mas o primeiro que eu poderia ver direito.
E lá estavam eles, o papai e o neném me esperando. Ela já tinha tomado um banho, estava com a roupinha que eu havia escolhido, me esperando.
Durante as 48 horas que fiquei no hospital, eu não dormi. Só conseguia olhar pra ela... E como ela ficava em um bercinho ao meu lado, cheguei a ficar com dor no pescoço.

Ver ela ali, foi uma das sensações mais loucas que já vivi em toda minha vida. Foi algo muito forte... Tão linda o meu bebê. Foi tão de repente que não consegui assimilar... Fiquei besta, boba, encantada. Babando.

O relato de pós-parto vem depois, tá?


Agora eu vou deixar algumas fotos...

Domingo a tarde, antes de irmos pela primeira vez ao Pronto Socorro (e voltar embora).

Momento único, incrível. 
Já no quarto! Minha princesa...



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É isso pessoal, deixo com vocês um texto maravilhoso sobre SER MÃE.


Muitas, Cris Guerra.
Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte - mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho - alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor - pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê - ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar - cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. “Como esse menino cresceu”, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta.
Já os filhos, ah… Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa - e mais urgente. Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: “"É por ali, filho, naquela direção."

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